Mostrando postagens com marcador linguagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador linguagem. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 19

Um não sei quê

um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê


A melhor definição para o amor, na verdade, é uma não-definição (que iria ser tratada de uma forma contraditória no soneto "Amor é um fogo que arde sem se ver").

E tratando desse assunto, um que trata de uma forma magistral é o (grande) R. Barthes em seu (grande) livro Fragmentos de um discurso amoroso. Achei-o - depois de muito procurar -, enquanto estava procurando um livro de direito (creio que era um livro sobre direitos fundamentais). Não hesitei, não pestanejei... como um impulso, eu simplesmente, peguei na prateleira e levei-o para o balcão sem fazer a pergunta (crucial) "quanto custa"?

De um lado, é não dizer nada, de outro, é dizer demais: impossível ajustar. Minhas ânsias de expressão oscilam entre o denso haikai, resumindo uma enorme situação, e um grande carregamento de banalidades. Sou ao mesmo tempo grande demais e fraco demais para a escrita: estou ao lado dela, que é sempre rigorosa, violenta, indiferente ao eu infantil que a solicita. O amor tem decreto um pacto com minha linguagem (que o mantém), mas não pode alojar-se em minha escrita.


Vejo, muitas vezes, minha vida espelhada nas páginas desse livro (ou eu a projeto nele? Eu faço questão de olhar assim? É esse o meu único olhar?). Por isso, não importava o "quanto custa" inicial.

segunda-feira, julho 9

End of the day

A língua é a mais complexa, a mais milagrosa, a mais estranha, a mais gigantesca e variada invenção humana, nada menos sujeito a tutela autoritária

Millôr Fernandes. Revista Veja. 16 de maio de 20007, p. 29

Não gosto da Veja, mas gosto do Millôr e essa frase é sensacional.
Salve Millôr, Saussure, Pierce, Wittgeinstein, Satre, Russell e Eco.
Salve a linguagem.